oalmirante @ 01:53

Sex, 10/12/10

Porto, 10 de Dezembro de 2010

 

A Wikileaks, uma organização transnacional sem fins lucrativos sediada na Suécia, tem vindo a tornar público, desde o lançamento do seu website em 2006, uma base de dados com cerca de 1,2 milhões de documentos secretos. A organização, que segundo o seu director, o jornalista australiano, Julian Assange, foi criada por dissidentes do governo chinês, jornalistas, matemáticos e pequenas empresas do sector tecnológico dos EUA, Europa, Austrália, África do Sul e Taiwan, pretende conciliar a denuncia dos regimes opressivos existentes na Ásia, no bloco soviético, na África Subsariana e no Médio Oriente com um género de infoanarquismo. Assim, a prossecução destes objectivos resultou na denúncia de crimes corroborados por diversos documentos e vídeos relacionados com a guerra no Iraque e no Afeganistão, a obtenção ilegal de documentação referente à troca de e-mails entre cientistas da University of East Anglia, que consequentemente viria a dar origem ao escândalo Climategate, que acabou por descredibilizar a cimeira de Copenhaga, e mais recentemente, a publicação de documentos secretos da diplomacia norte-americana, que obviamente põe em risco e fragiliza as relações com os seus aliados.

Contudo, em vez de perdermos demasiado tempo a analisar e comentar o “11 de Setembro” da diplomacia norte-americana, será certamente mais útil reflectir sobre a evolução do poder da Informação, ao longo desta primeira década do século XXI. Sem grande espanto para muitos, certamente, Bill Gates fez em 1995, no seu livro “O Rumo ao Futuro”, várias previsões relativas à evolução da Informação, que se vieram a confirmar durante o decorrer desta última década.

 

«Imaginei conversas sem sentido (…) do género: “Quanta informação tens” “A Suiça é um país óptimo por causa da quantidade de informação que lá têm!” “ Ouvi dizer que o preço da informação ia aumentar!”»

 

Este excerto sem dúvida parece não ter sentido, porém, e se tivermos em conta o contexto actual, só poderemos concluir que a Informação é algo não-contável, factor que a torna poderosa e valiosas. Logo, a Informação gera hoje consequências tão globais como a electricidade. Conquanto, a este respeito a História já tenha escrito alguns capítulos, por exemplo, Winston Churchill, enquanto primeiro-ministro britânico, teve desde sempre consciência da importância da manipulação do factor Informação. Na sua biografia, redigida por François Bédarida, esse mesmo factor fica bastante patente:

 

«Grande segredo da II Guerra Mundial, o sistema de Informações Ultra foi o filho querido de Churchill e uma peça-chave na sua condução das operações. (…)

Nesta batalha das informações, Churchill ocupa um lugar central graças à atenção e ao apoio constante que sempre votou ao sistema Ultra (…).»

«Golpe de sorte para Churchill: a sua chegada a Downing Street coincidiu com o primeiro avanço decisivo do serviço Ultra. De facto, foi no fim de Maio de 1940 que os decifradores de Bletchley Park (…) conseguem descodificar o código principal da Luftwaffe (…). No ano seguinte, (…), já dominavam por completo o código da Kriegsmarine, e na Primavera de 1942 decifram o da Wehrmacht.»

«(…) de sublinhar a superioridade dos Aliados em matéria de informação, em particular graças à decifração das mensagens do inimigo pelo Signit (signalls intelligence).»


Estes últimos excertos expressam bem a importância que teve o factor Informação durante a guerra e o quanto contribui-o para a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial. Mas, passados cerca de 70 anos o modo de tratamento da Informação foi-se desenvolvendo e tornou-a numa causa tão importante quanto a energia, e assista-se às consequências diplomáticas que gerou esta última publicação do Wikileaks e o enorme fracasso em que redundou a cimeira de Copenhaga.

A Informação evolui-o de forma brutal nesta última década, em que soubemos criar os meios necessários para a fazer circular à velocidade de um click. Nos dias de hoje já não vivemos sem uma vida 2.0, como são as redes sociais, o e-mail, o sms, etc. Mas embora muitas vezes nos esqueçamos que esta vida 2.0, esta Sociedade da Informação, é tão real quanto a primeira, precisamos de estabelecer regras e deixar de nos reger pelo bom senso de cada um dos seus intervenientes, pois o perigo espreita de todos os lados. E na internet são inúmeras as pessoas que são burladas e os jovens que são vítimas de pedofilia on-line. Também aqui é preciso saber atravessar uma passadeira. Politicamente, as juventudes partidárias são quem mais tem a obrigação e a responsabilidade de estabelecer as regras para atravessar esta passadeira, e esse semáforo até hoje não foi debatido nem construído para segurança dos nossos jovens cibernautas. Contudo, o mais difícil é ter consciência desta situação, e por atraso ou desconhecimento, nenhuma das nossas juventudes partidárias tem consciência deste problema, pelo que não consegue apresentar nenhuma proposta consistente neste sentido.



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