oalmirante @ 20:00

Seg, 26/07/10

Porto, 26 de Julho de 2010

 

Encerra-se agora mais um ano político, certamente o mais difícil dos últimos 10 anos, e mais uma vez no final das contas temos um país que economicamente está gravemente endividado; socialmente tem a maior taxa de desemprego de sempre; politicamente tem um governo sem maioria absoluta, mas absolutamente desgovernado. São estes três aspectos: economia, social e política que traçam já a crónica receita portuguesa, restando-nos crer que “devagar se vai ao longe”. Não se trata de crer nalgum tipo de catastrofismo nacional, trata-se antes de enxergar a realidade conforme ela se nos depara, sem partidarismos, sectarismos ou fundamentalismos para a deturparem. A pergunta repete-se, onde está a ponta deste novelo? Está sem a mínima hipótese para dúvidas nos partidos políticos, que antes de pensarem em resolver os seus próprios problemas só criam problemas ao país. Ou seja, as respectivas lideranças dos partidos em vez de tentarem internas unicidades silenciosas, deveriam promover a democracia com base em três princípios básicos: qualidade, seriedade e coragem. Repolitizar as máquinas partidárias com gente séria e de qualidade em primeiro lugar, para depois abrir caminho a uma ascensão política baseada na coragem.

Relativamente ao PSD, Pedro Passos Coelho pôs definitivamente nas últimas eleições internas um ponto final nas sucessivas crises de liderança, os mais de 60% dos votos serão suficientes para mudar e unir o partido. Criada, assim, uma situação excepcional que traduz uma pausa temporária das guerrilhas internas não se pode descurar as reformas internas que assegurem no futuro, num pós Passos Coelho, a estabilidade do partido. Não podemos acreditar ou cair no erro de que a estabilidade do partido só será verdadeiramente obtida quando o PSD chegar ao governo, isso não seria mais do que estar de acordo que urge saciar a fome a um bando de abutres desejosos por saquear o orçamento. Reformas internas no partido são por isso necessárias. Como e quais? Não sei. Mas este é um diálogo que tem de ser inaugurado, porque os portugueses não suportarão por muito mais tempo um partido sustentado no cacique, um partido em que cada pessoa não vale um voto mas um conjunto de votos, um partido onde muitas vezes há mais militantes que eleitores, um partido que já tem pouco de social mas cada vez menos de democrata. Um partido cujos problemas das bases remontam às dificuldades que anunciavam o fim do regime monárquico. Senão vejamos este pequeno excerto de “Portugal e o Século XX, Estado-Império e Descolonização (1890-1975)”, de Fernando Tavares Pimenta:

“Por outro lado, o jogo político estava viciado à partida, na medida em que os resultados eram controlados pelos notáveis locais, os chamados «caciques», o que deu origem a um sistema de baronato político, o «caciquismo». Era o cacique que decidia o resultado eleitoral na aldeia ou na vila, instruindo os eleitores a votar em determinado partido. Uma influência que lhe advinha do seu poder económico e do controlo social que exercia sobre a respectiva comunidade”

Mas como disse Churchill “a principal lição a extrair da história, é que a espécie humana é incapaz de aprender”, pelo que nos espera uma parede tão sólida quanto este status quo, aliás esta é uma matéria já conhecida e justificada pela física com base na 1ª Lei de Newton, "Todo corpo permanece em estado de repouso ou de movimento rectilíneo e uniforme, a menos que seja obrigado a mudar de estado por forças a ele impressas.". E só nesse momento os homens mais capazes para dirigirem a grande nação portuguesa serão chamados a aparecer.



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