oalmirante @ 03:10

Sab, 09/10/10

Porto, 9 de Outubro de 2010

 

A 25 de Abril de 2007, Paulo Rangel defendeu que Portugal vive um tempo de “claustrofobia democrática”. Na opinião do ex-líder parlamentar existem actualmente “ameaças e nebulosas” que “ensombram a qualidade da democracia”.

Pessoalmente, concordo com esta visão de Paulo Rangel, mas tendo a generaliza-la não só ao executivo, mas a toda a sociedade portuguesa, particularmente ao poder local e às bases partidárias. Este crescente aperto democrático tem provocado um sufoco tal ao aparecimento de grandes figuras políticas, que se torna praticamente impossível trazer a este país algo de fresco sem que haja uma reacção violenta que vise, exclusivamente, manter o poder instalado. Aliás, como aqui neste blogue já escrevi, retomamos mesmo os métodos políticos praticados pela 1ª República, no início do século XX. Recordo mais uma vez este excerto de Portugal e o Século XX, Estado-Império e Descolonização (1890-1975)”, de Fernando Tavares Pimenta:

 

“Por outro lado, o jogo político estava viciado à partida, na medida em que os resultados eram controlados pelos notáveis locais, os chamados «caciques», o que deu origem a um sistema de baronato político, o «caciquismo». Era o cacique que decidia o resultado eleitoral na aldeia ou na vila, instruindo os eleitores a votar em determinado partido. Uma influência que lhe advinha do seu poder económico e do controlo social que exercia sobre a respectiva comunidade”.

 

Simplesmente, o que este despotismo multipartidário teima em não aceitar é um acontecimento certo: “todas as sociedades precisam algures de um poder de autocontrolo. Quanto menos ele vier de dentro, mais ele terá de vir de fora.” (Edmund Burke); trata-se de uma lei da natureza da sociedade e a sua inevitabilidade terminará provisoriamente com este absolutismo local, pois nenhuma organização internacional pactuará trabalhar com este bafo de democracia camuflada.



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"We shall go on to the end, we shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender (...)"

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