oalmirante @ 10:05

Qua, 02/03/11

Porto, 2 de Março de 2011

 

Ontem, o Porto Laranja organizou mais um jantar/debate, onde teve como orador o Eng. Carlos Pimenta que abordou de forma impressionante o tema seleccionado, "Uma Política de Desenvolvimento Sustentável para a próxima década". Com uma apresentação muito bem elaborada e bastante explícita, a facilidade de manipulação do tema em debate deixou tímida a audiência que pouco abordou a segunda parte da apresentação referente às energias renováveis.

No seguimento do debate de ontem, decidi ler o resumo da conferência “Energias do Futuro”, organizada pelo GENEPSD, na Assembleia Distrital de Viana do Castelo, que contou como oradores precisamente o Eng. Carlos Pimenta e o Eng. Mira Amaral. Deste resumo disponível no site do GENEPSD, conclui que “as energias renováveis são uma excelente ideia “, como frisa o Eng. Mira Amaral, mas têm o problema de apenas aproveitarem 25% da capacidade instalada, o que é um aspecto negativo do ponto de vista da eficiência. Por seu lado, e apesar de certamente não ser um investimento que represente 96% de incorporação nacional, como é o caso do parque eólico em Viana do Castelo, as centrais nucleares de quarta geração, que estão a ser desenvolvidas, permitem a reciclagem dos resíduos radioactivos, o que as torna tecnicamente renováveis.

Contudo, existe um ponto que os apoiantes “fanáticos” das energias renováveis tendem a omitir, e que o governo opta por mentir. Num artigo de opinião do Eng. Miral Amaral é decomposta esta questão:


  1. Citando o primeiro-ministro em Montealegre: "53% da produção eléctrica nacional foi com base nas energias renováveis, o que permitiu reduzir a importação de petróleo".
  2. Explicação: “Ora é preciso que os nossos distintos jornalistas económicos e os nossos partidos políticos percebam que as renováveis (barragens inclusive) que produzem electricidade não poupam um único barril de petróleo importado pois que: (1) já não utilizamos petróleo na produção de electricidade; (2) o consumo de petróleo é basicamente no sector dos transportes e só quando houver massificação dos veículos eléctricos, o que infelizmente ainda vai levar bastante tempo, é que a electricidade substituirá o petróleo.

Esta “explicação” levanta questões sobre: o papel das energias renováveis junto do sector dos transportes e se são as baterias actualmente produzidas suficientemente desenvolvidas para substituir o petróleo?

Embora compreenda a opção do Eng. Carlos Pimenta que preconiza uma verdadeira revolução, um corte drástico com a política energética seguida, perante as circunstâncias actuais acho difícil a implementação da política que defende. Conquanto, a opção pelo nuclear não diminuía a nossa dependência do petróleo, asseguramos uma produção de electricidade que nos liberta de modo mais eficaz da pressão da subida de preços do gás e carvão. E se as renováveis se destacam pela aposta na inovação, a revista TIME publicou recentemente um artigo que intitula: “Nuclear Batteries. Tiny atomic reactors have energized the nuclear industry. Can they help save the planet?”


“Nuclear-powered cars! airplanes! Fridges and freezers! In the heady days of the early 1950s — at the dawn of the civilian nuclear power age and President Eisenhower's Atoms for Peace program — nuclear optimists imagined a world powered by tiny nuclear reactors. Today, in an era of climate change and energy insecurity, the nuclear industry is dusting off some of those old dreams. That includes the nuclear battery.”


Por último, gostaria de abordar as investigações sobre a antimatéria, certamente desconhecida para muitos, pelo que deixo algumas explicações retiradas da internet:


  • A existência de antimatéria foi prevista em 1931 pelo físico inglês Paul Dirac. Trata-se de uma matéria “espelho” daquela que é conhecida no Universo. As antipartículas são idênticas às partículas que lhes correspondem, mas têm uma carga eléctrica inversa. A antimatéria anula-se ao entrar em contacto com matéria, pelo que é quase impossível observá-la.
  • Os físicos do CERN conseguiram pela primeira vez aprisionar antimatéria, e para termos uma noção do que representa a antimatéria em termos de evolução a NASA está a financiar um projecto que tenta viabilizar o uso da antimatéria como combustível das naves espaciais e já considera as vantagens para uma futura viagem tripulada a Marte.
  • A reacção de 1 kg de antimatéria com 1 kg de matéria produziria 1.8×1017 J de energia (segundo a equação E=mc²). Em contraste, queimar 1 kg de petróleo produziria 4.2×107 J, e a fusão nuclear de 1 kg de hidrogénio produziria 2.6×1015 J.


Antonio Esteves @ 18:50

Qua, 02/03/11

 

Meu caro Almirante

Se bem que a energia eléctrica não é produzida a partir do petróleo, ela é produzida a partir de outros combustíveis fósseis: carvão e gás natural, ambos importados e, no que diz respeito ao gás, com preço indexado ao do petróleo, o que deita pela base o comentário do Eng. Mira Amaral.

Já no que diz respeito à energia nuclear de 4ª geração, como a primeira central ainda não entrou em funcionamento e ainda não sabemos qual vai ser o seu custo final, não podemos, por consequência, saber qual o preço que a energia por ela produzida, nos iria custar.

Por outro lado, com o nível actual de consumos, com especial destaque para as hores de vazio, o parque produtor existente é já excedentário não deixando espaço para o nuclear, sem desprezar os investimentos feitos nas ultimas duas décadas.

Por fim, a decisão de contruir hoje uma central nuclear de 4ª geração, quando a tecnologia ainda está em desenvolvimento, é para paises ricos, o que não é o nosso caso.


António


oalmirante @ 23:11

Qua, 02/03/11

 

Caro António Esteves,

Primeiro gostaria de agradecer o seu comentário. Mas, creio que se terá esquecido de uma questão muito importante que tem que ver com as vantagens que as energias renováveis, como as eólicas e os fotovoltaicos , trazem junto do sector dos transportes. Porque não estou a ver um avião levantar com baterias eléctricas.
Estou perfeitamente de acordo consigo quando diz que não temos dinheiro para construir centrais nucleares. Mas o país não acaba hoje, nem o desenvolvimento de novas fontes de energia, como muitos dos "fanáticos" apoiantes das actuais renováveis querem fazer crer. Esta pode ser uma opção a tomar no futuro, se o consumo assim o exigir, como já exige alternativas neste momento, por representar 53% da produção eléctrica, sendo o resto gás e carvão.

Antonio Esteves @ 11:03

Sex, 04/03/11

 

Caro Almirante

Estou de acordo consigo quando diz que dificilmente veremos aviões a levantar com energia eólica ou solar. Contudo, ainda não está disponível o substituto para o petróleo, que embora existam reservas significativas, são finitas. Quanto mais substituirmos o petróleo por energias renováveis ou energia eléctrica produzida através de outras fontes renováveis, ou não, menos pressão teremos sobre este e consequentemente sobre o seu preço, que nos devia preocupar, e muito.

Apenas mais um comentário: As decisões de política energética, que não se aplicam apenas ao curto prazo, tomam-se com base nas tecnologias e combustíveis disponíveis no momento e não com base em tecnologias em desenvolvimento. Fez bem Portugal quando optou por explorar de uma forma optimizada as fontes de energia de que dispõe.
António

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