oalmirante @ 12:30

Qui, 18/11/10

Porto, 18 de Novembro de 2010

 

Nestas últimas semanas recordo com bastante frequência a escola que frequentei durante o ensino básico, a EB 2.3 Irene Lisboa, na freguesia de Cedofeita. Mais do que aprender as matérias que o ensino público português tinha para me ensinar, convivi com colegas dos mais variados quadrantes sociais, e sei bem as dificuldades em que muitos viviam. Pois, todos os anos tinha de partilhar os livros com os colegas, porque só podiam ser levantados no SASE em meados de Outubro, onde também iam buscar algumas roupas para si e para os irmãos.

O Estado português, com o fraco e desorganizado apoio que oferecia às famílias, obrigava estes jovens a entrar na vida do pequeno furto, na vida do crime. No entanto, e como se a humilhação já não bastasse, estes jovens muitas vezes envolviam-se em drogas, poluindo inocentemente o ambiente escolar. A comunidade escolar, geralmente sem o apoio da JF Cedofeita (PSD), promovia todos os anos várias iniciativas, como a feira de Natal, cujas verbas revertiam em favor das famílias dos alunos mais carenciados e da própria escola.

São estas as portas abertas para os jovens portugueses. O Estado português, expressamente, centralizado e, excessivamente, dividido e subdividido, não consegue dar o apoio local que se exigiria, e actua de forma uniforme perante qualquer problema, seja ele financeiro, social e até político, ou seja: “rega dinheiro sobre os problemas”. Por sua vez, os governos para justificar cortes orçamentais são os primeiros a dizer que as pessoas não vivem apenas benefícios fiscais, também dependem dos serviços públicos. Contudo, a sua atitude é perfeitamente contrária, pois menospreza o trabalho no terreno, que seguramente representaria um efectivo corte na despesa do Estado.

Por parte das juventudes políticas nem uma palavra de apoio a estes jovens portugueses que raramente chegam ao ensino superior. A sua suposta superioridade intelectual não admite entender as dificuldades destes jovens, porque raramente conviveram com elas. Talvez por nojo, não fazem o mínimo esforço para se aproximarem destes jovens, fazendo política apenas para uma elite que chega ao ensino superior.

Não gosto de me referir a datas históricas por estas serem excessivamente limitadoras e nem sempre corresponderem ao verdadeiro tempo. Mas, os portugueses continuam sem saber o que é liberdade e igualdade de oportunidades. Não por uma certa burguesia dominar sempre o poder, como uma certa esquerda julga, mas por nunca termos herdado um espírito de liberdade que se quer assente na crítica e não em verdades absolutas.



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"We shall go on to the end, we shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender (...)"

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